2016/09/27

I lunghi giorni dell'odio (1968 / Realizador: Gianfranco Baldanello)

Os mais acérrimos adeptos do western-spaghetti, recordarão para sempre o italiano Gianfranco Baldanello devido ao asperíssimo “Black Jack” – brilhantemente protagonizado por Robert Woods e pelo recentemente finado Mimmo Palmara – mas há mais material de qualidade a conferir na sua filmografia. Debrucemo-nos então sobre um desses títulos, “I lunghi giorni dell'odio”, conhecido internacionalmente como “This man can’t die”. Apesar de menos vigoroso que o supramencionado, “I lunghi giorni dell'odio” é um filme carregado de violência gratuita e muita maminha ao léu. A acção começa com duas linhas aparentemente distintas, por um lado seguimos as pisadas do personagem Martin Benson (Guy Madison), um mercenário pago pelo exército para desmantelar um esquema de tráfico ilegal de armas com os índios. 

Noutra linha mais ou menos paralela, seguimos o resto da família Benson, gente desligada de encrencas mas que acabam por ser alvos de represálias do bando que Martin investiga. A certo dia os bandidos tomam o rancho de assalto, os velhotes acabam assassinados e a miúda mais nova - Jenny - violada por um dos canalhas. Ainda os malandros galopam no horizonte, quando Suzy e Daniel chegam da cidade, para se deparar com o cenário de terror. Para trás ficou um homem ferido, que Daniel (Alberto Dell'Acqua) tudo fará para manter vivo, única forma de extrair informação que lhes permita seguir no encalço do bando. Está claro de onde aparece o título internacional, não? 

Alberto Dell'Acqua "descansa" os costados.

Guy Madison tem aqui mais um papel como protagonista mas ao que se diz por aí não terá sido a primeira opção de Baldanello. Venceram neste caso os interesses do produtor que considerava Madison como o actor ideal para capitalizar o filme nos dois lados do Atlântico. Queira-se ou não, é preciso admitir que Madison tem o look e a destreza adequada a um homem de Winchester em riste, mas pessoalmente vivo mal com aquele sorriso quase permanente. Admito ainda assim que neste caso não me criou grande brotoeja. 

Pirotecnia qb neste western de baixo orçamento.

Na verdade não há muito por onde desancar o filme, a fotografia é decente (mesmo sem contar com as paisagens de Almeria, o budget não deu para fazer milhas na Alitalia) e o elenco não compromete com o desenrolar dos acontecimentos, pena porém que Peter Martell tenha sido tão infimamente utilizado. Mas há um senão, que não consigo compreender e que macula o resultado final do filme. Acreditem ou não, a banda sonora assinada por Amedeo Tommasi rouba descaradamente um pedaço da trilha de “Por um punhado de dólares”. Para quê senhores, para quê?

2016/09/13

Un uomo, un cavallo, una pistola (1967 / Realizador: Luigi Vanzi)

Segundo filme da saga do herói dos westerns-spaghetti que mais sofre na pele! Este personagem não é o típico pistoleiro confiante e infalível que enfrenta de peito feito os seus adversários. Este personagem foge da confusão. Este personagem deixa-se humilhar. Este personagem nem sequer sabe enrolar cigarros! Mais: como se pode levar a sério um tipo que tem uma sombrinha cor-de-rosa para se proteger do sol e monta um cavalo (ou égua) chamado Pussy? Stranger pode ter todos estes defeitos mas tem algo que abona a seu favor: é fino que nem uma raposa! E quando lhe cheira a dinheiro ninguém o pára! Foi o que aconteceu quando um corrupto agente de autoridade foi morto e Stranger (Tony Anthony), tropeçando no cadáver, decidiu roubar-lhe a carteira e os documentos de identificação. 

Dan Vadis e a sua implacável Winchester.

O Tenente Stafford (Ettore Manni), do exército dos EUA, anda à procura do ouro que foi roubado por bandidos mas até agora sem sucesso. O rufião En Plein (Dan Vadis) está atento e, para passar o tempo, diverte-se a disparar a sua espingarda Winchester. Good Jim (Daniele Vargas) aparenta ser um honesto chefe de família mas sabe mais do que as pessoas pensam. Stranger anda às voltas com toda esta gente e forma uma parceria com um velho pregador / charlatão armado em profeta. 

Tony Anthony, literalmente, pelas ruas da amargura.

Na noite de todas as decisões (porque antes disso Stranger já levou um enxerto de porrada) o velho pregador e o protagonista tratam da saúde aos vilões com fogos-de-artifício e uma caçadeira de quatro canos, respetivamente! Um herói que passa a vida a levar murros, pontapés, chicotadas e a sofrer humilhações (incluindo chafurdar em pocilgas, poças de lama e galinheiros) não pode ter uma vida fácil! Digamos que Stranger não é um herói. Aliás, ele até ultrapassa o estatuto de anti-herói. É, porventura, uma espécie de anti-herói dos anti-heróis do western-spaghetti!

2016/09/11

Fora de tópico | Lançamento "100.000 verdammte Dollar (Voltati... ti uccido)"


Meias boas noticias para os fãs do western-spaghetti. "Voltati... ti uccido" tem finalmente uma edição em DVD, mas infelizmente os amigos da Edel desta vez não deixaram opções audio além do alemão. Os mais valentes podem encomenda-lo aqui.

2016/09/06

Fora de tópico | Lançamento "Jetzt sprechen die Pistolen (Perché uccidi ancora?)


Em Setembro teremos muita coisa nova a ver a luz do dia. Entre esses a não perder o "Perché uccidi ancora?" que já há muito pedia uma edição decente. Esta que a Wild Coyote anuncia parece suprir essa necessidade, devendo mesmo ter audio e legendas em inglês. Pode já ser reservado aqui.

2016/08/30

Fora de tópico | Lançamento "Kopfgeld für einen Killer (Un Bounty killer a Trinità)"


Boas noticias para os fãs de Joe D'Amato, parece que o seu western "Un Bounty killer a Trinità" voltou a estar disponivel em DVD, desta vez pela mão da editora alemã Edel. Ainda não conferimos mas a edição deverá ter a mesma qualidade de imagem que a versão italiana, há muito esgotada. Audio em alemão e inglês. Podem encomendá-lo aqui.

Fora de tópico | Lançamento "Die unerbittlichen Vier (I quattro inesorabili)"


Muitos não saberão mas Adam West, o Batman dos anos sessenta , também fez uma perninha no western europeu. O filme é este "I quattro inesorabili", que agora volta a estar disponível em DVD via Wild Coyote. Audio em inglês e alemão. Nas lojas a 30 de Setembro.

2016/08/22

Yankee (1966 / Realizador: Tinto Brass)

O realizador italiano Tinto Brass (Giovanni Brass) não deixou marca relevante nos westerns-spaghetti. Os seus trabalhos mais conhecidos estão ligados ao cinema erótico, com destaque para os filmes “Salon Kitty” e “Calígula”, ambos ricos em orgias que simbolizam a decadência do regime Nazi e do Império Romano, respetivamente. Mas antes destes registos, Tinto Brass conseguiu manter o pessoal com as roupas vestidas e fez um western protagonizado por um francês (Philippe Leroy) e por um italiano (Adolfo Celi, uma espécie de Fernando Sancho dos pobres). Visualmente, o filme tem aspetos bem interessantes. A saber: belas cenas noturnas, igrejas com vitrais coloridos cheias de pinturas na parede (além de esculturas e outras obras de arte), ambientes pesados e soturnos, etc.

Yankee aguarda pacientemente pelas suas presas.

O filme, propriamente dito, fala-nos de um pistoleiro norte-americano (ianque = Yankee) que atravessa o Rio Grande e dirige-se para o México, um país onde se resolve tudo à bruta. Chega a uma localidade mexicana cujo cartão de visita é ter homens enforcados nas ruas. Yankee, assíduo frequentador de barbearias, senta-se na cadeira e fala com o barbeiro / agente funerário. O barbeiro diz-lhe que quem manda naquilo tudo é o Grande Concho, o chefe das bestas quadradas lá do sítio.

O bigodudo Adolfo Celi empunha o chicote.

Yankee procura Concho e propõe-lhe uma sociedade que envolve muito ouro. Concho é manhoso, engana Yankee e este rapta Rosita, uma cartomante bem jeitosa e mulher do bandido mexicano. O jogo do gato e do rato entre herói e vilão é inevitável e trocam tiros nas ruínas de um povoado abandonado sob um ambiente tenebroso (eco de vozes, gargalhadas lúgubres e arrepiantes). O duelo final acontece na margem do rio, pobre em peixes mas rico em cadáveres. Resta saber se valeu a pena Yankee ter atravessado a fronteira ou se o Grande Concho levou a melhor…

2016/07/26

Il momento di uccidere (1968 / Realizador: Giuliano Carnimeo)

O realizador Giuliano Carnimeo, antes de ser conhecido pelos seus trabalhos na saga “Sartana” interpretada por Gianni Garko, assinou um registo com contornos noturnos, góticos, baseado em jogos de imagens enganadoras refletidas em espelhos que sugerem tensão e medo. Pessoalmente, George Hilton e Walter Barnes são dois atores desinteressantes que nunca levei muito a sério e que continuo a não passar cartão. “Il Momento di Uccidere” é um filme competente, tem o seu mérito mas não é nada de extraordinário. Vamos ao enredo? Vamos a isso: Lord (George Hilton) e Bull (Walter Barnes) são dois pistoleiros que chegam a uma cidade do Oeste chamados pelo seu amigo, o juiz Thomas Warren.

George Hilton com um semblante sério.

O juiz não está na cidade e ninguém sabe onde ele está. Desapareceu misteriosamente sem deixar rasto. Ninguém se atreve a falar do assunto. Uma capa de medo assombra os habitantes da cidade. Lord e Bull são vítimas de várias tentativas de assassinato. Mas o que se passa naquela cidade? Onde está o juiz? O que foi que aconteceu? Será que o patriarca Forrester está envolvido nesta conspiração? Ou talvez o seu filho Jason (Horst Frank)?

Aqui, nem tudo o que parece, é.

E qual o papel de Regina, uma jovem inválida numa cadeira de rodas sobrinha de Forrester e prima de Jason? Consta que o tesouro do exército confederado está escondido algures na cidade. Esses 500 000 dólares são o principal motivo de todo este jogo de traições e homicídio? Lord e Bull serão suficientemente astutos para saírem desta situação incólumes? Todas estas questões serão respondidas quando virem este western mas até lá… mistério!


Propaganda de época, mais um que não escapou à Djangomania:








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